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A carta de Amanda


Mãe, primeiro quero te pedir perdão por estar sendo egoísta, mas isso não foi pro vocês, foi por mim.
Você mais do que ninguém sabe o quanto eu me esforcei para chegar até aqui. Tentei de todas as formas me encaixar nesse mundo caótico. Quando foi que me viu chorar? Provavelmente só quando eu era criança. Me mantive forte por todos vocês. Até por quem não merecia. Eu sempre tentei ser boa, como me ensinou. Eu fui bondosa, humilde, amiga, simpática...Nada disso adiantou. Me destruíram. Para eles eu era só uma mimada fingindo ser boazinha para conseguir algo deles. Mãe, talvez a senhora estivesse errada em achar que bondade salva o mundo. olha como o meu pai morreu: assalto que virou assassinato. A bondade dele não o livrou da morte cedo. Mamãe, eu nunca tive amigos, eu nunca tive quem em amasse além de vocês dois, eu nunca tive ninguém que ficasse comigo simplesmente porque gostava da minha companhia. E esse homem, mamãe...Esse homem que eu entreguei meu coração, corpo e alma achando que me resgataria desse mundo de desilusões, ah mamae, se você soubesse. Ele me machucou como ninguém havia me machucado, ele me agrediu verbalmente, psicologicamente e fisicamente. Ele me destruiu completamente. Encontrei com a Joana no bar esses dias. Você lembra dela não é? É claro que lembra, quantas vezes me ouviu falar que queria ser tão legal quanto ela. É mãe querida, por mais que eu quisesse ser amiga dela, ela sempre pareceu me odiar sem motivo, todo mundo aprecia me odiar na verdade. ela me viu ferida e nem se importou, ela simplesmente me ignorou... Eu sei que vou te magoar  mãe, mas eu não aguento mais.

*referencia ao texto "eu me lembro dela"*

Letícia Pontes

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