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Doce juventude, amargo coração

  

Houve uma época em minha doce juventude que eu achei que o amargo não viria. Mas quando dois tolos corações não se encontram em maturidade suficiente para encararem escolhas e consequenciais, o doce suave se transforma em amargo sufocante. Daqueles que precisamos cuspir porque não conseguimos engolir.

Existe esse tempo na vida de todos, o tempo em que estamos tão seguros de que seremos felizes que os obstáculos parecem simples pedrinhas no caminho, que vamos chutando, chutando, até perde-las de vista porque elas simplesmente não tem importância. 
De alguma forma uma pedrinha vira nossa primeira montanha. 

Não estávamos preparados para uma montanha, e não sabemos lidar com aquilo. E quando vem mais uma, já estamos cansados, já estamos esperando que voltem a ser só pedrinhas. Dois corações cansados que não haviam entendido que juntos eram mais fortes para escalar a montanha, para encontrarem o que tinha do outro lado, para desfrutar daquilo e seguir chutando pedrinhas e escalando montanhas... Dois corações despedaçados que despedaçaram um ao outro novamente, e novamente seriam despedaçados se não voltassem à doce juventude.

Letícia Pontes


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