Pular para o conteúdo principal

Melhor sozinho


Gustavo saiu de casa naquele dia sem intenção de voltar. Depois de 16 anos dentro da mesma casa vendo o pai violento e a mãe bêbada, percebeu que preferias as ruas e a liberdade que as drogas lhe davam. Pelo menos chapado ele não sentia dor em seu peito. Pelo menos chapado ele não chorava. Colocou na mochila, celular, fones, carregador, identidade, chiclete e só umas duas duas de roupa. Só tinha 300 reais, decidiu colocar em um saquinho plástico e esconder dentro da cueca. Assim não ia ser roubado e a chuva forte também não destruir seu dinheiro. Ele não tinha um guarda-chuva. O jeito era se abrigar em qualquer ponto de ônibus. Foi o que fez. acordou com o policial expulasndo-o de lá. Já era mais do que três da madrugada. Catou flores no canteiro de alguém e foi até o hospital.

-Vovó, eu vou fazer igual a senhora disse. - Ele falava com a idosa. - Estou indo embora procurar meu destino.

Por um milagre haviam deixado ele entrar, mas a enfermeira se mantinha dentro do quarto porque estava quebrando as regras então a coisa tinha que ser rápida.

-Vou embora e vou conseguir sobreviver de alguma forma. Te amo.

Ele saiu e seguiu seu caminho. Perdido no mundo, mas achava que seria melhor isso do que ter que acordar mais uma madrugada com os gritos da mãe sendo espancada, sabendo qeu depois ela viria descontar nele. Todas as diversas cicatrizes do corpo de Gustavo, haviam sido causadas pela sua mãe que o culpava de ter nascido.

-Melhor sozinho do que mal acompanhado. - Sussurrou pra chuva e foi embora.

Letícia Pontes

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Só pra me fazer chorar

A lua apareceu no céu. Não há estrelas essa noite.  Mas o vento uiva e pela janela ele entra e me toca. Só pra me lembrar que voce nao está ali para encobrir meu frio. Só pra me fazer chorar.  -Letícia Pontes

Pequenos passos

Guardo comigo cada aprendizado, mesmo aqueles que te parecem mais bobos, sabe? Aqueles que nem pareciam que dava para tirar proveito. Dá sim. E eu carrego uma bagagem tão grande de aprendizados que você nem consegue imaginar. Eu me orgulho tanto disso, mas infelizmente tem coisa que não da pra mudar. Já foi, aconteceu, aprendi, mas não posso refazer aquilo. Não da mais tempo. Fim. Mas eu posso ensinar isso aos meus filhos Não sejam como eu. Eu posso ajudar outras pessoas e posso transformar mundos. Eu acredito que aprendemos à cada pequeno passo e talvez esses pequenos passos sejam os que mais nos ensinam algo. Eles são essenciais e eu me orgulho de cada pequeno passo que dei, eles são os mais difíceis. Letícia Pontes

Você esnoba

Me pede pra ficar um pouco mais, eu não quero ir agora mas estou te dizendo adeus.  Me abrace forte mesmo que eu resista porque no fundo é isso que eu quero.  Você chegou levando tudo de perto de mim, como um tsunami destruindo o que eu tinha. Mas eu sei, que basta você sair que tudo volta ao normal, então porque eu não abro a porta e te mando embora? Eu simplesmente não consigo. Eu falo que preciso ficar sozinha, você diz "você quem sabe" e sai, eu seguro as lágrimas e seguro a voz, antes que eu te peça pra voltar.  Estou fazendo de tudo pra mostrar que sou forte e que não preciso de você aqui. Mas é que na verdade você é meu ponto fraco, você é a minha droga, a substancia que me viciou. E você simplesmente esnoba, porque diz que sempre me alertou e eu quem fui boba.  Eu sei. Você te razão. Eu vou parar. Mas enquanto isso, me serve um pouco  mais do seu amor.   Letícia Pontes, 2015